Ainda a saborear a alegria pelos votos perpétuos de dois irmãos, a Província reuniu-se novamente para a profissão religiosa do jovem Fábio Neves.
Ainda a saborear a alegria pela celebração dos votos perpétuos do Frei Pedro de Gabriel de Maria e Frei Ângelo Pio, no último domingo do mês de agosto, a Província Portuguesa da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos reuniu-se novamente, desta vez para fazer o seu retiro anual e participar na profissão religiosa do jovem Fábio Neves.
O retiro, orientado pelo Frei Fabrizio Bordin, italiano, da Ordem dos Frades Menores Conventuais, Delegado Provincial em Portugal, Guardião do Convento e Pároco da Unidade Pastoral de S. António dos Olivais, em Coimbra, decorreu durante os dias 30 de agosto a 4 de setembro. Marcaram presença irmãos capuchinhos das fraternidades de Argozelo (Bragança), Barcelos, Porto- Gondomar, Lisboa, Fátima e Samora Correia.
O orientador do retiro – uma fonte a jorrar sabedoria, simplicidade e franciscanismo –, centrou toda a reflexão à volta do VIII Centenário da “Páscoa” de São Francisco de Assis, que está a ser celebrado a nível mundial por toda a Família Franciscana.
O Frei Fabrízio começou por indicar os seis ingredientes ou sentimentos (+1) que deverão acompanhar os participantes nesta semana, a partir duma proposta do padre beneditino Antonio Luca, Abade de Montecassino, a propósito de um peregrino que vai a caminho de Santiago de Compostela: paciência, silêncio, solidão, esforço, sobriedade, gratuidade. A estes seis, junta-se o sétimo, que é o encontro com aquilo que o peregrino espera obter depois da caminhada, como aconteceu com os apóstolos na experiência da Transfiguração no Monte Tabor: a Beleza.
Daqui se iniciou um percurso espiritual, conduzido pela passagens bíblicas e Fontes Franciscanas. Dia após dia, o orientador levou os participantes ao encontro e à profundidade das principais etapas da vida do “Poverello” de Assis, detendo-se, com mais acuidade, nos seus últimos momentos a partir, entre outros, de dois textos fundacionais: a Regra e o Testamento. Duros foram esses tempos do final da vida de S. Francisco, com vicissitudes dentro e fora a Ordem, mas sempre envolvidos pela misericórdia e graças divinas, pois ninguém se perde quando está nas mãos de Deus.
Assim “caminharam” os irmãos pelos lugares mais marcantes da vida de S. Francisco e dos seus primeiros companheiros, dessedentando-se nas fontes, onde as águas são mais puras e frescas. Claro que este itinerário espiritual deverá levar a um maior compromisso com várias das dimensões tão necessárias e urgentes para o nosso tempo: a misericórdia, a fraternidade, a pobreza evangélica, o cuidado da criação e o compromisso com a paz.
E que mais se pode desejar para o final de um retiro? O acolhimento de mais um jovem na Fraternidade. Foi o que aconteceu na sexta-feira, dia 4, com a celebração da profissão religiosa – votos temporários – do jovem Fábio Daniel. Na Capela do Centro Bíblico dos Capuchinhos ali se concretizou a celebração final, presidida pelo Ministro Provincial, Frei Fernando Alberto Pedrosa Cabecinhas. Dum modo simples e franciscano, acorreram ao ato os pais e vários familiares do profitente, associando-se ainda as Irmãs Clarissas, na presença da Ir. Albertina. O momento da partilha da Palavra esteve a cargo do Frei Fabrizio Bordin que deixou palavras oportunas e eloquentes dirigidas, em especial, ao jovem Fábio. Ainda antes do final da celebração, o neo-professo tomou a palavra para agradecer a todos os que estiveram a seu lado, sobretudo nos momentos mais delicados e adversos, palavras emocionadas e cheias de ternura, que brotaram do seu coração. Após o convívio fraterno que se seguiu, fez-se a foto de família, a que se associaram um numeroso grupo de frades capuchinhos da Indonésias, liderados pelo Conselheiro geral, Frei William Chang (Província de Pontianak).
Fábio Daniel da Silva Neves nasceu na freguesia de Pedroso, concelho de Vila Nova de Gaia, no dia 7 de janeiro de 1995. Depois de uma primeira experiência vocacional junto dos Capuchinhos, interrompida em 2021, o Frei Fábio manteve sempre uma forte ligação ao carisma franciscano, no que foi auxiliado por irmãos das nossas fraternidades. Deste modo, a vontade de se consagrar a Deus na Vida Religiosa, seguindo os passos de S. Francisco de Assis, tornou-se ainda mais viva e persistente. Entretanto, nesse período de tempo, o Frei Fábio aproveitou-o para se valorizar cultural e profissionalmente, matriculando-se na Faculdade de Letras do Porto, onde obteve, em 2026, a licenciatura em História.
Em janeiro de 2025 a sua caminhada e discernimento vocacional tornou-se mais claro, iniciando o processo da sua admissão na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, integrando a Fraternidade dos Capuchinhos do Amial (Porto).
Agora, depois da emissão dos seus primeiros Votos Religiosos, passará a fazer parte da Fraternidade Itinerante de Presença e Apostolado (FIPA), em Argozelo (diocese de Bragança), juntamente com o Frei Miguel Pinto Grilo e Frei John Ricky Asalu Naheten.


